Representatividade na comunicação na era do “cancelamento”

representatividade na comunicação

Representatividade é um tema que sempre gera muitas polêmicas em campanhas publicitárias, resultado disso é o burburinho em torno da campanha da Natura que tem Thammy Miranda na representação de pai transgênero.

A hashtag #Natura está entre as mais comentadas no Twitter. No perfil da marca no Instagram chovem elogios e críticas e a marca tem se posicionado respondendo, inclusive, aos comentários preconceituosos. Diante desse acontecimento, como lidar com a representatividade na comunicação?

Primeiro é preciso que se compreenda que o assunto representatividade precisa estar dentro da política do negócio e não ser apenas “assunto do momento” para a conquista de engajamento. A Natura enquanto empresa, realmente levanta a bandeira da diversidade há algum tempo em sua marca, aliás, também defende o respeito à natureza produzindo produtos em embalagens sustentáveis e sem testes em animais.

A questão hoje é que estamos na “era do cancelamento”, ou seja, na internet há um movimento conhecido como “cultura do cancelamento”, em que pessoas/marcas são “canceladas” por alguma ação que represente um insulto.

Ao trabalhar um tema como representatividade trans, como no caso da Natura, é preciso analisar muito bem a repercussão em torno do assunto, levando em conta os preconceitos e barreiras no Brasil quanto ao tema. A marca corre o risco de ser “cancelada”, mas em contrapartida ganha em visibilidade na internet, mas a questão não é ser visto, mas pensar em qual posicionamento deseja assumir na sociedade.

Confira: Como atingir o seu público através do conteúdo?

Tratar ou não tratar a representatividade na comunicação do meu negócio?

Para muitas empresas, tratar de assuntos como a representatividade é algo muito delicado, que pode gerar uma série de mal-entendidos, críticas, etc. Sim, essa é uma das reações que se pode esperar quando o tema é esse, mas o que pontuamos aqui é que é fundamental pensar em representatividade como pauta frequente de discussões e não como assunto sazonal.

Falar de diversidade, inclusão, representatividade na comunicação, apenas por ser um assunto em evidência no momento não é o indicado, é importante que essa seja uma pauta da empresa, que faça parte de sua cultura. É preciso acreditar e estar apto à desconstrução constante de preconceitos para inserir essa temática frequentemente na comunicação do negócio.

Obviamente que uma empresa como a Natura, que já se posicionou em outros momentos em outras pautas sociais importantes, já estava preparada para a repercussão por conta da aparição do Thammy em um de seus vídeos, ou seja, trabalhar um tema como esse não é “desconfortável” para a empresa.

E se for algo desconfortável? O ideal é que o negócio não aborde o assunto, não entre nessa pauta. Se a inclusão e diversidade não é uma realidade da empresa, não há a necessidade de inserir o tema, até mesmo porque não haverá preparação por parte da equipe para lidar com uma possível repercussão do assunto.

Se sentir desconfortável diante da temática ou até mesmo perceber que talvez tenha ainda muitos preconceitos a vencer dentro de diferentes vertentes do assunto não é o problema, pelo contrário, pode ser o caminho para derrubar barreiras internas e se preparar antes de trabalhar o assunto da representatividade na comunicação.

Não engaje com base na oportunidade das temáticas

Se utilizar de um assunto em destaque para uma informação relevante e que tenha relação com os propósitos da empresa é uma coisa, mas se o intuito é apenas gerar “engajamento” nas redes sociais e visibilidade “sem critérios”, não é o caminho mais recomendado.

Ao se posicionar em uma pauta “delicada” como essas que envolvem uma enxurrada de preconceitos, o negócio/pessoa, deverá estar apto para lidar com consequências. Algumas relações comerciais podem ser afetadas por uma postagem “polêmica”? Se sim, a cultura do negócio está acima das relações comerciais e preconceitos? É claro que é uma decisão delicada, mas necessária de ser refletida.

É preciso repensar sobre a representatividade na comunicação na era do cancelamento, mais do que isso, pensar que qualquer posicionamento na internet, independentemente do tema, que possa gerar uma certa “polêmica”, pode ocasionar em “cancelamento” , sendo assim, qual o seu posicionamento enquanto empresa?

Nós, da Biquara, nos posicionamos contra quaisquer tipos de preconceito, discriminação e acreditamos que ações como a da Natura, de promover a visibilidade transgênero é mais do que urgente e necessária em nossa sociedade. Acreditamos e apoiamos a diversidade e inclusão a despeito de “cancelamentos” na internet.

Comunicação também envolve escolhas e nem sempre ao nos posicionar diante de um assunto, estamos do lado mais forte e, quando assim for, que se possa colocar a cultura do negócio acima das críticas. Quando o assunto é preconceito, sentir os efeitos dessa onda mortal é só uma consequência que precisa ser encarada.


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